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domingo, 5 de maio de 2013

Era uma vez o Carioca.


Hoje terminou aquele que provavelmente será lembrando como a pior edição do campeonato carioca em sua história, publico pífio, Vasco e Flamengo tendo atuações abaixo da crítica, detalhe o flamengo ainda iludiu sua torcida no primeiro turno, entretanto a troca de técnico fez desandar o já limitado time rubro negro, enquanto isso o Vasco vinha tendo atuações desastrosas desde o primeiro turno, o Fluminense divido entre libertadores e carioca deu mais atenção ao primeiro em detrimento do segundo, em face disto o título ficou com o único time que verdadeiramente se dedicou ao campeonato e tinha um time melhor qualificado, Botafogo, entretanto este texto é menos sobre o título em si e mais sobre a organização da competição.

Primeira coisa a vitoriosa fórmula do campeonato carioca se esgotou o que é uma façanha destes dirigentes da ferj se esse campeonato teve um grande público não vi ele no carioca 2013, um campeonato que teve a alcunha de o mais “charmoso do Brasil” virou o mais depressivo, pois os públicos pífios e o nível técnico das equipes abaixo da média levaram o carioca a nocaute.

Segunda coisa o preço abusivo dos ingressos, os valores praticados estão fora da realidade da maioria dos torcedores do Rio de Janeiro, sem contar que os times não estavam jogando para justificar tais valores praticados nos jogos, alguns clubes claramente queriam forçar uma adesão a seus programas de sócios torcedores, entretanto não colocando preços exorbitantes que vão atingir tal objetivo.

Terceira coisa temos que criar um novo formato, por exemplo a fase final do carioca ter o formato de Copa do Mundo, América, com os grandes do estado sendo cabeças de chave de seus grupos e os demais times sendo inseridos nos grupos, sendo que os ditos médios e pequenos disputariam uma classificatória, um campeonato que os credencia – se estes times a fase final do carioca que teria a participação dos grandes times, somado a isso estes times classificados a fase final já estariam classificados nas fase iniciais do Copa do Brasil e da série D do brasileiro.

Em face disto cabe aos dirigentes dos nossos clubes a solução para um a campeonato, mas agradável, viável financeiramente e com bons públicos, pois o carioca 2013 foi contra todas as tradições do campeonato carioca, apesar da vitória inquestionável do Botafogo.

Márcio Almeida - professor e escritor. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A conservadora nova classe média


A gestão petista criou verdadeira ou artificialmente aquilo que a mídia chama de nova classe média, este novo grupo oriundo dos extratos mais empobrecidos da nossa pirâmide social são a maioria esmagadora deste novo grupo social.

Entretanto essa nova classe média surgiu baseada no crédito, pois o grosso da população brasileira tem uma espécie de reserva de “desejo de consumo”, este desejo por sua vez é a mola propulsora para o consumo no Brasil  e base fundamental para alçar a classe C para o status de classe média, mas a mesma classe possui um hiato em termos de consciência política e sofisticação cultural, em termos políticos esta nova classe é tão ou mais retrograda  do que sua homônima clássica, um grupo social que tem medo, pavor de perder o pouco que conquistou, não vê muito sentido na democracia e compõe o grosso destas igrejas pentecostais, cujo as idéias são as mais reacionárias possível.

Estas características desse novo grupo social facilitam a adesão das mesmas a figuras de veleias populistas e lideres messiânicos, basta observamos que a avaliação da gestão petista é altíssima nestes extratos sociais, inclusive trazendo questionamentos novos para a intelectualidade brasileira, pois depois de duas décadas de luta contra o conservadorismo, temos que enfrenta – lo novamente em plena democracia e com o agravante de termos uma mídia que massifica este ponto de vista, logo temos a plena consciência de que esse extrato social precisa ser lapidado, político e culturalmente, pois esse grupo não deixa legado para as gerações futuras, não tem poder de pressão junto às esferas de poder, são apenas massa de manobra controlada pela TV e pelas igrejas, esse é o quadro, tal panorama é extremamente ruim para o desenvolvimento político, social e cultural do país.                

terça-feira, 3 de abril de 2012

Vândalos ou Público deTeatro



Marcio Almeida - professor, escritor e poeta.


Clássico baiano: Bahia X Vitória 
Nos últimos dias a nossa imprensa tupiniquim tem falado exaustivamente sobre a questão da violência entre facções inseridas dentro das torcidas organizadas e consequentemente começou um processo de demonização das organizadas, pois as mesmas são a nova – velha – ameaça a copa do mundo e porque não dizer aos jogos olímpicos.
Entretanto temos um outro problema, este que em parcos momentos vem sendo debatido pela mídia, pois isso não interessa que é a transformação do futebol num espetáculo voltado para as classes média e média alta, hoje dificilmente temos personagens como os antigos geraldinos, mais ainda temos um público que assiste futebol, não vive o futebol do seu clube, não acompanha o dia a dia, não consome as coisas do seu clube, simplesmente vai a um jogo de futebol como vai para um espetáculo de teatro, logo aquele calor humano que era a marca do futebol pouco a pouco vai perdendo espaço para “digamos” espaços mais requintados como as arenas multiuso, muito em voga no Brasil e plenamente incentivada pelos canais dos lacaios do capital. Do mesmo modo temos o problema das facções inseridas no seio das organizadas que precisa ser combatido o mais rápido possível, pois a grande maioria das pessoas que fazem parte das organizadas são pessoas que verdadeiramente são torcedores do seu time, tem muito torcedor de reta final de campeonato que nunca vi o time jogar fora do estado, nunca enfrentou chuva, torceu pelo seu time na geral, entoou cantos nas organizadas, pois não se iludam os belos cantos das torcidas, coreografias e etc. são fruto da criatividade das uniformizadas, não é o torcedor de teatro que proporciona tal espetáculo.

Jogo do Real Madri
Este torcedor estilo Real Madri vaia o time, reclama de tudo, sempre acha tudo muito ruim e principalmente, acha que pobre não deveria ir ao estádio, ou seja, este tipo de torcedor é tão ruim, danoso, prejudicial ao futebol  quanto os criminosos das torcidas organizadas, pois enquanto estes grupos das organizadas que entram em confrontos são prejudiciais pela violência, os torcedores à madrilena também são tão perniciosos quanto, pois coloca pessoas no estádio que estão no mesmo pelo simples fato de está e não pela paixão pelo time.

Portanto temos dois problemas a resolver a violência no estádio que algo que foge as raias da racionalidade, mas também temos que evitar a proliferação destes torcedores de ocasião, no estilo Madri, para que possamos continuar tendo torcedores de verdade nos estádios de futebol.         

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Catarse Moribunda

Logo após o termino do dia do trabalhador foi anunciada a morte daquele que deu mais trabalho ao longo de uma década ao serviço de inteligência dos EUA, ou seja, Osama Bin Laden, líder da rede intitulada pelo ocidente de terrorista Al Qaeda, vale lembrar que o Hamas e hezbollah também são chamados de grupos terroristas apesar dos dois participarem como partido políticos nos parlamentos da autoridade palestina e do libano respectivamente. Entretanto, os EUA precisava saciar a ideologia do medo em sua sociedade e por extensão pelo mundo, pois a mídia internacional e em particular no Brasil corroboram tal linha de raciocínio, tentando inclusive colocar Osama Bin Laden como inimigo número um da sociedade mundial.

Primeiro Bin Laden era inimigo dos estadunidenses e dos paises que apoiavam os mesmos, segundo o líder morto da Al Qaeda foi o fator de desencadeamento de todo um processo que culminou nas invasões do Iraque e do Afeganistão em busca de interesses claramente econômicos. Em face disto fica claro que imagem de jovens estadunidense comemorando a morte do saudita foi, no mínimo, bizarra, pois o governo dos Estados Unidos promove aquilo que chamamos de terrorismo de estado e em nenhum dos paises invadidos vemos pessoas comemorando a morte dos soldados dos EUA, pois ali são pessoas que muitas vezes estão no exército estadunidense porque não tiveram oportunidade de trabalharem em coisa melhor, pois os soldados americanos em sua maioria são das áreas empobrecidas dos EUA, em face disto o que estava em jogo era os interesses dos EUA em termos financeiros, era necessário ter o controle dos poços petróleo no oriente médio, legitimar a posição americana na região.

Em face disto a celebração da morte feita pelos americanos e que parte da mídia mundial e em particular no Brasil tenta colocar como expressão de patriotismo americano, que foi a mais mórbida catarse de uma sociedade, muito parecida inclusive com o que ocorreu no Brasil com filme tropa de elite I e particularmente no Rio de Janeiro com a ocasião das invasões dos complexos da penha e do alemão aonde a sociedade queria que as forcas de segurança elimina – se aqueles bandidos que corriam pela estrada de terra em fuga a uma comunidade vizinha, podemos perceber que em ambos os casos o desejo de sangue, vingança, esta implícito em ambas as situações e no entanto não se atenta para as questões fundamentais, a invasão ao Afeganistão, Iraque, irão continuar, não sabemos, outra questão e a posição estadunidense quanto a questão palestina ira mudar, também não sabemos, em suma a morte de Osama não muda a realidade, mas traz para o nosso combalido ocidente mais incertezas.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Desrespeito e desinformação na mídia brasileira





O texto abaixo é dos alunos do curso de letras da Puc - RS e fala com maestria e sofisticação sobre a polêmica criada pela mídia preconceituosa acerca de um livro didático de língua portuguesa aprovado pelo MEC, leiam, pois é um texto riquissimo e esclarecedor.



Por alguma razão escondida dentro de cada um de nós que escrevemos esse texto tivemos como escolha profissional o ensino de língua (materna ou estrangeira). Por algum motivo desconhecido, resolvemos abraçar uma das profissões mais mal pagas do nosso país. Não quisemos nos tornar médicos, advogados ou jornalistas. Quisemos virar professores. E para fazê-lo, tivemos que estudar. Estudar, para alguém que quer ensinar, tem uma dimensão profunda.
Foi estudando que abandonamos muitas visões simplistas do mundo e muito dos nossos preconceitos. Durante anos debatemos a condição da educação no Brasil; cotidianamente aprofundamo-nos sobre a realidade do país e sobre uma das expressões culturais mais íntimas de seus habitantes: a sua língua. Em várias dessas discussões utilizamos reportagens, notícias ou fatos trazidos pelos jornais. Crescemos ouvindo que jovem não lê jornal e que a cada dia o brasileiro lê menos. A julgar por nosso cotidiano, isso não é verdade. Tanto é que muitos de nós, já indignados com o tratamento dado pelo Jornal Nacional à questão do material ‘Por uma vida melhor’, perdemos o domingo ao, pela manhã, lermos as palavras de um dos mais respeitados jornalistas do país, criticando, na Folha de S. Paulo, a valorização dada pelo material ao ensino das diferentes possibilidades do falar brasileiro. E ficamos ainda mais indignados durante a semana com tantas reportagens e artigos de opinião cheios de idéias equivocadas, ofensivas, violentas e irresponsáveis. Lemos textos assim também no Estado de São Paulo e nas revistas semanais Veja e IstoÉ. Vimos o Jornal Nacional colocar uma das autoras do material em posição humilhante de ter que se justificar por ter conseguido fazer uma transposição didática de um assunto já debatido há tempos pelos grandes nomes da Lingüística do país – nossos mestres, aliás.
O jornalista Clovis Rossi afirmou que a língua que ele julga correta é uma "evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras" e que os professores têm o baixo salário justificado por "preguiça de ensinar". Uma semana depois, vimos Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti narrarem um drama em que um aluno teria aprendido uma construção errada de sua língua e afirmarem que o material "vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedentes". Também esses dois últimos jornalistas tentam negar a voz contrária aos seus julgamentos, dizendo que pouquíssimos foram os que se manifestaram, e que as idéias expressas no material podem ter sucesso somente entre alguns professores "mais moderninhos". Já no Estado de São Paulo vimos um economista fazendo represálias brutas a esse material didático. Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN.
Ficamos todos perplexos pela falta de informação desses jornalistas, pela inversão de realidade a que procederam, e, sobretudo, pelo preconceito que despejaram sem pudor sobre seus espectadores, ouvintes e leitores, alimentando uma visão reduzida ao senso comum, equivocado quanto ao ensino da língua. A versão trazida pelos jornais sobre a defesa do "erro" em livros didáticos, e mais especificamente no livro ‘Por uma vida melhor’, é uma ofensa a todo trabalho desenvolvido pelos lingüistas e educadores de nosso país no que diz respeito ao ensino de Língua Portuguesa.
A pergunta inquietante que tivemos foi: será que esses jornalistas ao menos se deram o trabalho de ler ou meramente consultar o referido livro didático antes de tornar públicas tão caluniosas opiniões? Sabemos que não. Pois, se o tivessem feito, veriam que tal livro de forma alguma defende o ato de falar "errado", mas sim busca desmistificar a noção de erro, substituindo-a pela de adequação/inadequação. Isso porque a Lingüística, bem como qualquer outra ciência humana, não pode admitir a superioridade de uma expressão cultural sobre outra. Ao dizer que a população com baixo grau de escolaridade fala "errado", o que se está dizendo é que a expressão cultural da maior parte da população brasileira é errada, ou inferior à das classes dominantes. Isso não pode ser concebido, nem publicado deliberadamente, como foi nos meios de comunicação. É esse ensinamento básico que o material propõe, didaticamente, aos alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Mais apropriado, impossível. Paulo Freire ficaria orgulhoso. Os jornalistas, porém, condenam. Sabemos que os veículos de comunicação possuem uma influência poderosa sobre a visão de mundo das pessoas, atuam como formadores de opinião, por isso consideramos um retrocesso estigmatizar certos usos da língua e, assim, o trabalho de profissionais que, todos os dias, estão em sala de aula tentando ir além da mera repetição dos exercícios gramaticais mecânicos, chamando atenção para o caráter multifacetado e plural do português brasileiro e sua relação intrínseca com os mais diversos contextos sociais.

A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas aparece, sobretudo, o medo de a escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes. Entretanto, se tivessem lido o referido material, esse medo teria facilmente se esvaído. Como todo lingüista contemporâneo, os autores deixam claro, na página 12, que "como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário".
Dessa forma, sem deixar de valorizar a norma escrita culta – necessária para atuar nas esferas profissional e cultural e, logo, determinante para a ascensão econômica e social de seus usuários, embora não suficiente –, o material consegue promover o debate sobre a diversidade lingüística brasileira. Esse feito, do ponto de vista de todos que produzimos e utilizamos materiais didáticos, é fundamental. Sobre os conteúdos errôneos que foram publicados pelos jornais e revistas, foi possível ver, após uma semana, as respostas dadas pelos educadores, estudiosos da linguagem e, sobretudo, da variação lingüística, já bastante elucidativas para informar a esses profissionais do jornalismo. Infelizmente, alguns jornalistas não os leram. Mas ainda dá tempo de aprender com esses textos. Leiam as respostas de lingüistas tais como Luis Carlos Cagliari, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, além de educadores como Maria Alice Setubal e Maurício Ernica, entre outros, publicadas em diversas fontes, como elucidativas e representativas do que temos a dizer. Aliás, muito nos orgulha a paciência desses autores – foram verdadeiras aulas para alunos que parecem ter que começar do zero. Admirável foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Lingüística, de Educação - e de atitude cidadã, diga-se de passagem - para "formadores de opinião" que, sem o domínio do assunto, resolveram palpitar, julgar e até incriminar práticas e idéias solidamente construídas em pesquisas científicas sobre a língua, ao longo de toda a vida acadêmica de vários intelectuais brasileiros respeitados - idéias essas que começam, aos poucos, a chegar à realidade das escolas. Ao final de anos de luta para podermos virar professores, ao invés de vermos nossos pensadores, acadêmicos e professores valorizados, vimos a humilhação violenta que eles sofreram. Vimos, com isso, a humilhação que a academia e que os estudos sérios e profundos podem sofrer pela mídia desavisada (ou maldosa). O poder da mídia foi assustador. Para os alunos mais dispersos, algumas concepções que levaram anos para serem construídas foram quebradas em instantes. Felizmente, esses são poucos. Para grande parte de nossos colegas estudantes de Letras o que aconteceu foi um descontentamento geral e uma descrença coletiva nos meios de comunicação.
A descrença na profissão de professor, que era a mais provável de ocorrer após tamanha violência e irresponsabilidade da mídia, não aconteceu – somente por conta daquele nosso motivo interno ao qual nos referimos antes. Nossa crença de que a educação é a solução de muitos problemas – como esse, por exemplo – e de que se trata de uma das profissões mais satisfatórias do mundo continua firme. Sabemos que vamos receber baixos salários, que nossa rotina será mais complicada do que a de muitos outros profissionais, além de todas as outras dificuldades que todos sabem que um professor enfrenta. O que não sabíamos é que não tínhamos o apoio da mídia, e que, pior que isso, ela se voltaria contra nós, dizendo que o baixo salário está justificado e que não podemos reclamar porque não cumprimos nosso dever direito. Gostaríamos de deixar claro que não, ensinar gramática tradicional não é difícil. Não temos preguiça disso. Facilmente podemos ler a respeito da questão da colocação pronominal, passar na lousa como os pronomes devem ser usados e dizer para o aluno que está errado dizer "me dá uma borracha". Isso é muito simples de fazer. Tão simples que os senhores jornalistas, que não são professores, já corrigiram o material ‘Por uma vida melhor’ sobre a questão do plural dos substantivos. Não precisa ser professor para fazer isso. Dizer o que está errado, aliás, é o que muitos fazem de melhor.
Difícil, sabemos, é ter professores formados para conseguir promover, simultaneamente, o debate e o ensino do uso dos diversos recursos lingüísticos e expressivos do português brasileiro, que sejam adequados às diferentes situações de comunicação e próprios dos inúmeros gêneros do discurso orais e escritos que utilizamos. Esse professor deve ter muito conhecimento sobre a linguagem e sobre a língua, nas suas dimensões lingüísticas, textuais e discursivas, sobre o povo que a usa, sobre as diferentes regiões do nosso país e sobre as relações intrínsecas entre linguagem e cultura.

Esse professor deve ter a cabeça aberta o suficiente para saber que nenhuma forma de usar a língua é "superior" a outra, mas que há situações que exigem uma aproximação maior da norma culta e outras em que isso não é necessário; que o "correto" não é falar apenas como paulistas e cariocas, usando o globês; que nenhum aluno pode sair da escola achando que fala "melhor" que outro, mas sim ciente da necessidade de escolher a forma mais adequada de usar a língua conforme exige a situação e, claro, com o domínio da norma culta para as ocasiões em que ela é requerida. Esse professor tem de ter noções sobre identidade e alteridade, tem que valorizar o outro, a diferença, e respeitar o que conhece e o que não conhece.
Também esse professor tem que ter muito orgulho de ser brasileiro: é ele que vai dizer ao garoto, ao ensinar o uso adequado da língua nas situações formais e públicas de comunicação, que não é porque a mãe desse garoto não usa tal tipo de variedade lingüística (a norma culta), não conjuga os verbos, nem usa o plural de acordo com uma gramática pautada no português europeu, que ela é ignorante ou não sabe pensar. Ele vai dizer ao garoto que ele não precisa se envergonhar de sua mãe só porque aprendeu outras formas de usar o português na escola, e ela não. Ele vai ensinar o garoto a valorizar os falares regionais, e ser orgulhoso de sua família, de sua cultura, de sua região de origem, de seu país e das diferenças que existem dentro dele e, ao mesmo tempo, a ampliar, pelo domínio da norma culta, as suas possibilidades de participação na sociedade e na cultura letrada. O Brasil precisa justamente desse professor que os jornalistas tanto incriminaram. Formar um professor com esse potencial é o que fazem muitos dos intelectuais que foram ofendidos. Para eles, pedimos que esses jornalistas se desculpem. E os agradeçam. E, sobretudo, antes de os julgarem novamente, leiam suas publicações. Ironicamente, pedimos para a mídia se informar. Nós somos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste ocorrido da imprensa. Somos muito conscientes da luta que temos pela frente e das possibilidades de mudança que nosso trabalho promove. Para isso, estudamos e trabalhamos duro durante anos. A nós, pedimos também que se desculpem. E esperamos que um dia possam nos agradecer.
Reafirmamos a necessidade de os veículos de comunicação respeitarem os nossos objetos de estudo e trabalho — a linguagem e a língua portuguesa usada no Brasil —, pois muitos estudantes e profissionais de outras áreas podem não perceber tamanha desinformação e manipulação irresponsável de informação, e podem vir a reproduzir tais concepções simplistas e equivocadas sobre a realidade da língua em uso, fomentando com isso preconceitos difíceis de serem extintos. Sabemos que sozinhos os professores não mudam o mundo. Como disse a professora Amanda Gurgel, em audiência pública no Rio Grande do Norte, não podemos salvar o país apenas com um giz e uma lousa. Precisamos de ajuda. Uma das maiores ajudas com as quais contamos é a dos jornalistas. Pedimos que procurem conhecer as teorias atuais da Educação, do ensino de língua portuguesa e da prática que vem sendo proposta cotidianamente no Brasil. Pedimos que leiam muito, informem-se.
Visitem escolas públicas e particulares antes de se proporem a emitir opinião sobre o que deve ser feito lá. Promovam acima de tudo o debate de idéias e não procedam à condenação sumária de autores e obras que mal leram. Critiquem as assessorias internacionais que são contratadas reiteradamente. Incentivem o profissional da educação. E nunca mais tratem os professores como trataram dessa vez. O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também.
Alecsandro Diniz Garcia, Ana Amália Alves da Silva, Ana Lúcia Ferreira Alves, Anderson Mizael, Jeferson Cipriano de Araújo, Laerte Centini Neto, Larissa Arrais, Larissa C. Martins, Laura Baggio, Lívia Oyagi, Lucas Grosso, Maria Laura Gándara Junqueira Parreira, Maria Vitória Paula Munhoz, Nathalia Melati, Nayara Moreira Santos, Sabrina Alvarenga de Souza e Yuki Agari Jorgensen Ramos – formandos 2011 em Letras da PUC-SP, futuros professores de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.
Formandos do curso de letras – PUC – SP.

sábado, 28 de maio de 2011

Greves pelo Brasil





Greves de professores afetam 1,7 mi de alunos em seis Estados


Movimentos em seis Estados mobilizam tanto docentes de redes estaduais de ensino como municipais; categoria pede reajuste salarial

Em pelo menos seis Estados, movimentos grevistas de professores da rede pública estão afetando até 1,7 milhão de estudantes, ao todo, segundo sindicatos da categoria. Cada Estado – ou município, no caso de Porto Alegre – tem reivindicações diferentes e negocia de maneira independente.

Os professores do Amapá entraram ontem em greve (25), por tempo indeterminado. Eles reivindicam reajuste salarial de 16%, contra os 3% oferecidos pelo governo. Na capital Macapá, 90% dos professores teriam aderido.

Em Porto Alegre, a greve chegou ao terceiro dia e afeta 40 mil alunos. A categoria não aceita reajuste de 6,5% em maio e mais 0,5% em dezembro e quer 18%. A prefeitura sustenta que não pode oferecer mais. O Sindicato dos Municipários estima que 90% dos educadores estão parados, enquanto a prefeitura afirma que o índice é de 70%. A categoria diz que a greve só termina se houver nova proposta.

Em Sergipe, os professores da rede estadual entram no quarto dia de paralisação, prejudicando 300 mil alunos. Eles fazem hoje uma vigília na Assembleia Legislativa a partir das 8 horas e, amanhã, um ato público no centro comercial de Aracaju. A categoria recusou proposta de pagamento integral imediato do reajuste de 15,86% para os professores do nível um e a partir de setembro para os demais níveis.

Adesão forte. Em Santa Catarina, onde a greve chega ao oitavo dia, a adesão é de quase 90% (35,6 mil dos 39 mil professores da rede), segundo o sindicato da categoria. Cerca de 600 mil alunos estariam sem aula.

A greve é uma reação à proposta do governo que fixa, por medida provisória, o piso nacional do magistério em R$ 1.187 para docentes que não tinham o valor como salário-base sem a soma de abono. Antes, o mínimo era de R$ 609. Os professores são contra a MP porque ela não acompanharia o progresso de carreira. O governo se recusa a negociar, e os grevistas querem que os deputados rejeitem a MP.

Em Alagoas, onde 350 mil estão sem aula, os professores decidiram prorrogar a greve, iniciada na semana passada, por mais uma semana. Os docentes acusam defasagem de 25% no salário, mas o governo oferece 7%.

Quase um mês. Na Paraíba, 18 mil funcionários de 600 escolas (60% dos profissionais) estão em greve há 25 dias, segundo o sindicato local, afetando as aulas de 400 mil estudantes. Os professores pedem piso de R$ 890 para 30 horas semanais e manutenção das gratificações. Hoje, o piso é de R$ 661. O governo diz que aceita pagar o piso, desde que as gratificações sejam incorporadas.





Fonte: Sinte-SC com informações de O Estado de S.Paulo

terça-feira, 24 de maio de 2011

Levantes contra o Capital




Marcio Almeida - historiador e professor.

Nos últimos anos temos visto uma série de levantes pelo mundo, tendo como pano de fundo a reação aos desmandos do capital, do Cairo a Madri, passando por Londres, Lisboa, Paris e outras capitais da Europa o capitalismo se tornou o grande inimigo destas populações, o mais curioso é que tanto as esquerdas tradicionais, quanto à direita modernizante, transvertida de liberal são vistas como vilãs nesta história toda, o que é algo novo na conjuntura política mundial, pois não observamos tal fenômeno durante boa parte do século XX, entretanto podemos identificar em que momento esta conjuntura que observamos hoje começou a ser criada e temos que retornar aos anos 80 e 90, ou seja, as ultimas duas décadas do século anterior.

O fim do mundo soviético marca o inicio do processo de mutação que os partidos de esquerda iriam sofrer durante os anos 80 e 90, principalmente a última década, momento que marca o apogeu do neoliberalismo, a partir do colapso soviético e por extensão de toda área de influência dos mesmos, ou seja, a região dos bálcãs o socialismo real passa a ser visto como algo fracassado dada a incapacidade do mesmo de competir com o mundo capitalista, em face disto os partidos de esquerda ficaram num beco sem saída, pois perderam a retórica de outrora, isto é, o referencial soviético frente a ao mundo capitalista cristalizado pelos EUA, entretanto outras perspectivas de aplicação do socialismo que foram relegadas a um plano secundário, sendo aplicada em outros lugares e mesmo o welfare State que surgiu a partir do medo das potencias capitalistas européia da onda vermelha que tomava conta do velho continente no entreguerras mostra que era possível se não eliminar, mas pelo menos submeter o capitalismo frente aos interesses do povo. Entretanto as esquerdas tradicionais da Europa seguiram um outro caminho, este que no Brasil também foi adotado pelo PT e era chamado de articulação, este em 2002 levou o mesmo ao poder, a nova orientação das esquerdas foi seguir o canto da sereia do capitalismo.

A partir do momento em que as esquerdas em escala mundial começaram a seguir as orientações neoliberais e que gente do FMI, banco Mundial, entre outros começou a freqüentar os salões dos governos de esquerda a coisa desandou e o resultado é o que vemos hoje, partidos de esquerda que querem reduzir direitos dos trabalhadores em nome dos interesses do capital, transferência das perdas do mercado financeiro para o povo, entretanto o mesmo não partilha os lucros do capital em tempos de bonança, logo a reação pelo mundo frente aos desmandos destes partidos que estão no poder. Em relação à direita e aqui temos que fazer uma pequena distinção, pois trata – se aqui da direita modernizante e não dos grupos ultraconservadores do mesmo espectro político, o fato que mantém os mesmo em sua condição de vilões é que o capitalismo se apresentou como a grande solução para os problemas da humanidade e passado pouco mais de duas décadas do colapso soviético e do socialismo real o mesmo está sendo contestado em todas as partes do mundo, neste mesmo espaço de tempo o capitalismo produziu uma riqueza sem precedentes, entretanto a pobreza aumentou na mesma escala, hoje temos pessoas sendo excluídas da própria exclusão, algo que Zygmunt Bauman chama de refugo e Leonardo Boff de zeros sociais e mais este mesmo capitalismo cantado em verso e prosa pelos poetas do capital tenta acabar com o pouco de direitos que os cidadãos tem em seus paises, logo as reações ocorreram pela Europa e outros paises mundo afora.
Em face disto temos que construir um projeto de mundo alternativo ao que temos e para desespero de alguns que não cometa os erros dos projetos do século XX que mesmo bem intencionados acabaram se tornando ditadura, temos que transformar a democracia em força revolucionaria, de transformação da sociedade em escala global, tirar a mesma da condição de serva do capital, pois nos impõem a democracia liberal como o único caminho democrático a seguir e sabemos que a mesma tem na sua capacidade de transformação constante sua maior força, nela que podemos realizar os ideais humanísticos implícitos no socialismo, na idéia de bem comum aristotélica, enfim aonde podemos plenamente gozar da condição humana, entretanto temos que derrubar os sistema que hoje se encontra no poder, pois a queda do mesmo significa a libertação da humanidade.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O novo ano se aproxima.

Fim de ano é sempre o mesmo enredo, analisamos o que ocorreu de bom e de ruim em nossas vidas no respectivo ano que se finda, renovamos votos, promessas e fazemos mais algumas, entretanto sempre temos uma espécie de renovação do otimismo acerca do novo ano, em face disto poderíamos buscar ter um ano mais epicurista e menos hedonista, buscar mais o desapego a coisas materiais e buscar mais as coisas que vão lhe fazer feliz, basear menos a felicidade naquilo que você pode ter, sedimentando a mesma naquilo que você pode vivenciar, experimentar, degustar, diria o sápio, portanto que o novo ano seja de paz, felicidade, realizações, amores, orgias, bacanais e etc e que Deus, Alá, Buda, Pacha Mama, Zeus, Saturno, Oxalá ou qualquer outra divindade que tenha esquecido possa iluminar seus caminhos num 2011 cheio de alegria, esta que seja bem dionisíaca, que celebremos a vida, as festas de Momo, este deus do riso, estão chegando, mas que todo dia seja motivo para celebrar o risonho deus em 2011 e que o nosso país não insista em ser metáfora da comédia dos sete erros de Shakespeare, em face disto um feliz 2011 a todos os leitores deste blog, axé!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A onda vampiresca



Ultimamente estamos observando o fenômeno chamado crepúsculo, aonde nós assistimos a saga de um casal de jovens, mas o mesmo não é um casal comum, trata-se de uma composição entre um jovem rapaz vampiro e uma menina humana, tal folhetim vem prendendo a atenção da juventude e tornou – se um fenômeno cinematográfico e literário no mundo, o mesmo tem o mérito de levar parte da juventude para o mundo da literatura, pois os livros relacionados à saga dos vampiros ( crepúsculo, lua nova e etc) estão entre os mais vendidos nas livrarias.
Entretanto o enredo dos livros e filmes repousam no binômio amor – preconceito, buscando a inspiração no célebre Romeu e Julieta de Shakespeare. Este que por sua vez inspirou-se provavelmente no mito helênico[i] Píramo e Tisbe, tanto no mito como na obra do celebre teatrólogo inglês a questão central é o amor, assim como também é na saga de crepúsculo, somado a isso temos também o elemento de rejeição por parte das pessoas que convivem com os dois jovens flechados pelo deus do amor[ii], assim como podemos perceber também na peça de Shakeaspeare e no mito helênico. Logo podemos perceber que a velha e sempre atual temática do amor nunca sai de cena, somado a isso a autora do livro Stephenie Meyer foi muito feliz em direcionar essa temática ao público adolescente, isto porque é nesta faixa etária que os jovens têm os primeiros relacionamentos e porque não dizer amores ao mesmo tempo que também a maioria dos conflitos relacionados ao mesmo, estes geralmente travados com a família, grupo de amigos e etc. Além disto, os jovens se identificam com os personagens da saga de crepúsculo, assim como muitas gerações tiveram a mesma atitude em relação a Romeu e Julieta e como certamente muitos jovens da Grécia antiga foram contagiados pelo amor dos príncipes da babilônia[iii]. Podemos constatar que existe alguns temas que seja universais e estes atravessam os tempos, neste quesito a temática do amor é imbatível, este que proporciona visões completamente distintas acerca dos personagens envolvidos, como por exemplo, o relacionamento entre Aquiles e Pátroclo, estes dois heróis mitológicos da hélade[iv], na narrativa homérica[v] a relação entre os dois personagens da ilíada é marcadamente baseada naquilo que chamamos de “philia” ou amor amizade, em Ésquilo[vi], este autor da peça os “mirmidões” caracteriza o mesmo relacionamento como algo de cunho homoerótico.
Em face disto podemos concluir que a saga de crepúsculo veio com uma estética vampiresca trabalhar a consagrada temática do amor junto aos jovens, pois assim como os enamorados juvenis do mito a saga estaria dispostos a deram a própria vida pelo amor que sentem, muitos jovens também possui a mesma postura, isto explica de certo modo fascínio dos jovens pela saga de crepúsculo, porque no fundo tantos filmes quanto os livros trabalham a questão do amor juvenil, esta situação acabou provocando uma verdadeira onda vampiresca.

[i] Mito grego que relata o amor de dois jovens príncipes que termina em tragédia.
[ii] Trata – se do deus grego Eros que era conhecido como o deus do amor, este era filho da deusa Afrodite conhecida como a deusa do amor.
[iii] Relacionado à suposta origem dos príncipes, pois apesar do mito ser grego os personagens nasceram na Babilônia.
[iv] Outro nome pelo qual era conhecido o território grego.
[v] Trata –se do poeta aedo Homero a quem atribuem a autoria da ilíada e da odisséia, o primeiro fala do herói Aquiles na guerra de tróia, o segundo fala do herói Ulisses( em grego Odisseu) retornando do conflito contra os troianos.
[vi] Fala do teatrólogo e poeta grego Ésquilo autor da peça os mirmidões.
Márcio Almeida - professor e historiador.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Homogenização Capitalista


A sociedade atual caminha para um processo de homogeneização, aonde todos devem ter o mesmo comportamento, costumes, gostos e etc, contribui muito para isto o processo conhecido como globalização, este que analisado historicamente é um eufemismo para o velho processo de colonização, em face disto o paradigma cultural, política e principalmente econômica são a face mais visível da dominação das potências capitalistas, ou seja, os paises desenvolvidos frente os homônimos em desenvolvimento. Outra forma de dominação das grandes potências ocorre mediante a cooptação das elites dominantes locais, isto é, dos paises em desenvolvimento, estas a partir de então passam a ser negadoras da cultural do respectivo país e defensoras de valores exógenos, logo todas as pessoas que colocam – se à margem deste projeto hegemônico da sociedade são classificadas como anormais, isto ocorre pelo fato destas pessoas terem uma atitude crítica em relação a sociedade atual, todos aqueles que passam a ter uma atitude socrática frente a esta sociedade sofistica torna –se alvo de perseguição, temos uma mídia que ridiculariza todas as manifestações da cultura popular, nacional, somente as expressões culturais das elites dominantes recebem o devido tratamento, logo podemos constatar que no mundo atual não existe espaço para uma conduta alternativa, fora da imposição pasteurizada da sociedade contemporânea.

Somado a esta triste realidade estamos assistindo o retorno do conservadorismo, temos a adequação do velho puritanismo o limiar do século XXI a realidade atual, podemos observar o respectivo avanço no crescimento da intolerância tanto no plano étnico, social e religioso. Em termos étnicos o quadro não mostra novidade, pois tudo aquilo que não está dentro do padrão é marginalizado, seja criminal ou socialmente, podemos inclusive ser nas duas formas, veja o tratamento dado pelas forças de segurança nas periferias das grandes cidades, na loucura de busca pelo corpo perfeito e etc, em termos sociais basta observa o tratamento dado aos locais fora das áreas nobres fica claro a inferioridade que as populações destas regiões são vistas e justamente nestas que o conservadorismo é trabalhado dado o fato das pessoas destas regiões em tese ter menos acesso a escolarização, logo em teoria o número de pessoas com capacidade de reflexão é menor, logo percebe a relação entre o conservadorismo e a religião o que é algo distinto da religiosidade, isto porque a podemos perceber o avanço na perseguição das religiões fora da matriz cristã a mesma ocorre pelo fato das expressões religiosas de origem afro – indígena ser vista como o diferente, o anormal, logo sofre perseguição pelo fato das mesmas não enquadrarem –se naquilo que a sociedade pasteurizada, homogeneizada, de orientação burguesa julga como correto e todos aqueles que criticam esta conjuntura são rotuladas como anormais, pois não aceitam o enquadramento, o rótulo, enfim a capitulação frente ao projeto hegemônico de sociedade.

Em face disto podemos observar que as lutas travadas pelos grupos de vanguarda nos anos 60 e 70 não atingiram todos os objetivos, pois lutaram pela liberdade, mas o que temos hoje é uma sociedade pautada na liberalidade, ou seja, que deturpou a ideia de sociedade livre e colocou em voga um modelo licencioso, este que permite as pessoas agir sem responsabilidade, isto definitivamente não é uma atitude crítica em relação à sociedade, mas apenas a face permissiva desta sociedade que tenta adequar os anseios de liberdade com a respectiva atitude, algo que não deixa de ser mais uma face do conservadorismo, este que é uma forma de enquadramento da sociedade atual. Logo podemos perceber que uma atitude oposta à sociedade atual implica numa marginalização por parte da mesma, portanto cabe aos heróis anormais não capitular frente a opressão feita pela atual sociedade, esta que tenta homogenizar a todo custo os seres humanos.


Márcio C. Almeida - historiador




sexta-feira, 12 de junho de 2009

A loucura e o consumo

Márcio C. Almeida
Historiador
Certo dia caminhando dentro de um destes templos do consumo atual comecei a observar o comportamento das pessoas e a suposta felicidade que as mesmas aparentavam, tal situação me fez lembrar de uma agradável leitura do clássico elogio da loucura do célebre filósofo e humanista holandês Erasmo de Rotterdam, este que fala justamente da loucura das pessoas de forma alegórica, a impressão que tive foi que o mesmo havia acabado de sair de um destes shoppings centers da vida e escreveu o livro tamanha a atualidade do tema, pois a nossa sociedade que tem seus valores e sua ética baseada no consumo, vive um verdadeiro estado mimético de loucura, devido ao fato de querer consumir a todo custo, esta realidade foi provocada pela ética do consumo, baseada no individualismo desenvolvido pelo sistema capitalista, isto para provocar no individuo uma constante necessidade de consumo, pois nos séculos anteriores a admiração repousava naqueles que tinham um saber, que detinha, portanto uma habilidade que catalisava para si a admiração de toda a comunidade, isto acontecia a com os anciãos, filósofos, artistas, chefe guerreiros,intelectuais, professores e etc. Geralmente este eram vistos como nobres e em face disto tinham privilégios em relação as demais categorias, com o advento do capitalismo as coisas mudaram, entretanto para pior, pois se antes os privilégios eram para os nobres com a chegada da burguesia ao poder a mesma torna –se elite dominante com ares aristocráticos e passam a impor a sua ética, ou seja, o consumo exacerbado devido ao fato do capitalismo necessitar do mesmo ilimitadamente para se realizar enquanto sistema, caso contrario a tendência seria o fim do mesmo, daí a necessidade dos capitalistas dominarem todas as esferas da sociedade para que o seu ethos prevaleça e isso nos estamos vivendo nos nossos dias.
Atualmente as pessoas se realizam enquanto consumidoras algo que é extremamente grave, pois estão reduzindo os serem humanos a meros consumidores, podemos observar que o único direito que ouvimos falar é o relacionado aos consumidores e isto de maneira muito superficial, rasteira, portanto temos que atentar para tal realidade pelo fato dos seres humanos estarem se tornando verdadeiros seres amorfos, meros dígitos nas caixas registradoras, quando na verdade somos muito mais, em face disto vivemos numa sociedade doente, fragmentada, sublimada pela ideologia do consumo, esta que incute nas pessoas que só consumindo poderemos ser felizes e nos realizar enquanto seres humanos, entretanto tal lógica tem por objetivo evitar a contestação do status quo estabelecido, ou seja, o sistema capitalista que mediante a globalização, esta de modelo negativo, leva o seu fatalismo falacioso para todos os cantos do planeta, provocando a homogenização do mundo, neste sentido ocorrer uma alienação do individuo no tocante ao direito de escolha, isto é, na lógica capitalista não cabe a tentativa de um outro modelo de sociedade devido ao fato de supostamente não haver possibilidade de desenvolvimento fora da sociedade de consumo, em face disto temos como resultado da adoção desta lógica, os condomínios fechados, segurança privada, violência e etc, tudo ocasionado pelo fatalismo do capital, vivemos uma verdadeira ditadura neoliberal e aqueles que ousam colocar – se contra são radicalmente perseguidos, qualquer manifestação de heterogeneidade numa sociedade homogenia é sumariamente aniquilada, somos vigiados constantemente.
Em face disto quando alguém faz colocações do tipo: “não gosto de shopping center” ou “não gosto de determinado lugar” soa estranho para a maioria das pessoas, pois a mesmas realizam – se apenas quando estão na condição de consumidores, portanto as mesmas querem ter para ser quando na verdade a lógica é a inversa, mas para isso teria que emergir uma nova antropologia, um novo ethos na humanidade para que pudéssemos criar uma nova sociedade, esta baseada na justiça, na igualdade, na fraternidade tendo por objetivo proporcionar o bem comum a todos de acordo com capacidade de cada um, mas tal realidade repousa no campo da utopia e a mesma neste modelo de sociedade vigente foi morta, pois a lógica fatalista deste sistema nos impede de sonhar e a utopia tem como ponto inicial o sonho, entretanto este também foi eliminado dentro do neoliberalismo, vivemos o tempo do pragmatismo aonde tudo é estritamente real, logo podemos afirmar que o amor acabou neste tipo de sociedade, pois somente aqueles que amam podem sonhar e logo acreditar que um outro mundo é possível. Mas presenciamos uma sociedade aonde tudo é possível desde que você possa pagar, em face disto compramos a beleza, o status, a amizade e etc, isto claro dentro da ordem de valores que a sociedade neoliberal impõem como padrão, caso contrario está excluído da mesma, logo o seu pertencimento é condicionado a sua capacidade de consumo, portanto temos configurada a cidadania em pequenos estratos, lembrando o voto censitário aonde de acordo com a sua renda você poderia votar e/ou concorrer a um cargo legislativo, hoje a sua cidadania é medida de acordo com a sua conta bancária, poder de consumo e etc. Logo temos uma sociedade de pessoas frívolas, preocupadas em comprar um celular com TV, um novo carro e assim por diante, nos sentimos felizes por comermos em praças de alimentação que mais parecem os chiqueiros de antigamente, pois atualmente os porcos se recusam a alimentar – se em tais condições, mas não contestamos porque não estamos saciando a fome e sim o status social que tal atitude nos confere, sofremos portanto aquilo que Marx classificou como fetichismo da mercadoria, o mesmo ocorre quando compramos um produto não por sua necessidade, mas pelo valor simbólico que o respectivo objeto adquirido possui, ou seja, pelo status social que vem agregado ao mesmo, temos como exemplo comprar um celular pela necessidade da comunicação e o mesmo para lhe conferir status social, pois quando caímos no segundo item estamos sofrendo o fetichismo devido ao fato de comprar o produto pelo status conferido e não pela necessidade, prevalece o valor simbólico e não o de uso.
O aspecto grave desta situação é que cria – se um mimetismo pelo fato da ética atual está baseada no ter, logo aqueles que não tem querem uma possibilidade para consumir e tendo poderem ser, entretanto a desigualdade social, característica das sociedades capitalistas permitem o consumo apenas de uma forma, através da inclusão exploradora, isto é, possibilita aquilo que Malthus classificava como migalhas o que no nosso caso são as mesmas referentes a riqueza produzida pelo capital, isto realiza –se no momento em que os indivíduos que nada tiveram puderam de uma hora para outra consumir coisas nunca antes imaginadas, entretanto o resultado social disto estamos vendo no dia a dia que é o colapso total da sociedade aonde vale qualquer coisa pelo dinheiro, tudo porque muitos querem ter o que poucos possuem em plenitude e boa parte tem acesso em migalhas.
Logo para mudarmos esta sociedade que encontra – se no CTI do humanismo teremos que construir um novo ethos para mesma, um modelo que respeite os aspectos humanísticos, ecológicos e filosóficos dos serem humanos, caso contrario continuaremos assistindo a degradação e a exploração de Gaia e de seus filhos e particularmente dos homo sapiens, estes que dotados inteligência não atentam para o cataclisma que o desumano e antiecológico sistema capitalista está conduzindo a humanidade, tudo isto impulsionado pelo consumo que alimenta a loucura do enriquecimento ilimitado dos donos do capital.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O tédio de nossos dias

Márcio C. Almeida
Historiador

Atualmente a vida é tão sem graça que nem parece vida tamanha mediocridade que são os dias atuais, as pessoas preocupadas em atender seus desejos mesquinhos não tem tempo para pensar em grandes projetos humanitários.

Esta situação é o espelho dos nossos dias, pessoas sem vida, sem experiências enriquecedoras e etc, o momento que vivemos são de assuntos que giram em torno de dietas, celulares, futilidades e fofocas, entretanto não vemos a discussão de assuntos construtivos do ponto de vista humanístico, cidadão, enfim debater sobre coisas que venha proporcionar o bem comum a todos, logo podemos perceber o tédio dos nossos dias, esta vida vazia desprovida de coisas que valha realmente a pena, vivemos no império da futilidade cujo o símbolo maior são os shoppings centers, verdadeiros ópios modernos aonde as pessoas ficam anestesiadas pelas vitrines frias, entretanto convidativas, fazendo os indivíduos serem comprados pelo produto ali exposto, pior as pessoas fazem das compras um passatempo quando na verdade ela foi comprada pela mercadoria pensando que aquilo é lazer, algo mais tedioso do que isso estou para ver e os indivíduos ainda ficam sorrindo, definitivamente tem alguma coisa errada. A pobreza de criatividade da sociedade atual explica todo o tédio da atualidade, pois é cerceada aos homens a criação, o prazer de contemplar aquilo que criamos, tudo nos vem pronto, como é prazeroso criar uma canção, manipular harmoniosamente um instrumento ou escrever um poema, um texto, um artigo, uma crônica, enfim, um prazer único, uma atitude erótica que nenhuma tecnologia pode proporcionar e/ou substituir, quando muito pode servir de ferramenta a criatividade humana, imagine o tédio da maioria das pessoas que foram sublimadas do prazer no seu cotidiano, esta situação pode ser canalizada para direções sombrias como as drogas e o banditismo de maneira geral, tudo isso por causa do cotidiano tedioso que são os dias atuais, esta que é totalmente desprovida de prazer, causa, ideais, deveríamos buscar o conhecimento do prazer e da felicidade nos antigos filósofos gregos, chutarmos este paradigma de felicidade burguês onde a alegria e felicidade estão naquilo que você compra ao invés de ser aquilo que é fruto do seu altruísmo, em suma quando as pessoas começam a ficar feliz porque comprou um novo celular algo está errado.

Entretanto existem pessoas que estão acabando com o tédio em suas vidas, geralmente são pessoas que olham constantemente para si mesmo, para vida e confrontando a realidade com o saber adquirido nos livros, na biblioteca da experiência que chama –se vida optaram por ser e logo começaram a perceber o sorriso de momo deus do riso, este expresso no prazer de viver, portanto os que estão buscando o caminho do ser tem infinitamente uma vida menos tediosa do que aqueles que querem apenas ter, estes aprisionados no seu império da futilidade, do consumo desenfreado, oportunista e momentâneo sempre terão uma vida tediosa, pois o fetichismo do consumo não os deixa em paz dizendo que sem ele tudo é sem graça, um marasmo absoluto não escapando, portanto deste ciclo vicioso. O tédio da vida atual está justamente nisto porque pelo fato de vivermos numa sociedade de consumo, sem ideais, proposta e objetivos, aonde a grande preocupação é “preciso comprar um mp5 ou um celular com TV” fica clara a superficialidade da vida atual, tornando a mesma tediosa, temos verdadeiros zumbis que pensam que são incluídos e felizes porque consomem, cada vez mais ocorre mortes por suicídio, isto porque o indivíduos conseguindo enquadrar –se num padrão de consumo começa a se achar um incapaz, um fracassado e mediante falta de perspectiva entram em depressão e daí para o suicídio é rápido, mas tudo isto acontece devido ao tédio que é viver numa sociedade de consumo baseada no ter ignorando o ser por completo, enquanto isso aqueles que querem ser estão quebrando paradigmas da sociedade do ter em pleno tédio dos dias atuais.